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Tentativa de Sulicídio

Mais um resgate do meu site antigo

Tradicionalmente no Brasil o Rap “que importa” tem sido o do eixo Rio-São Paulo. Claro que isso não impede existam MCs e criadores em geral fora desse eixo, e com grande talento inclusive. Significa que sua região se torna mais um dificultante de visibilidade. Assim como tradicionalmente dificulta o fato de ser mulher.

Para tentar romper mais essa barreira, Diomedes Chinaski e Baco Exú do Blues lançaram em 2016 uma Diss atirando para todo lado: Sulicídio (atenção para o L). Nela, a crítica a esse eixo.

“Sem amor pelos rappers do rio
Nem paixao por vocês de São Paulo
Vou matar todos a sangue frio
E eu tenho caixão pra caralho”

Chamando os MCs de lá, de forma generalista, de “favela gourmet”, o ataque mais direto na ocasião foi ao Nocivo Shomon: “Exceto o merda do Nocivo Shomon, o resto nem é nada pessoal”.

Foi removida, mas outros republicaram.

Claro, foi uma Diss que recebeu muitas respostas. A interessante Inimigos, do Haikaiss; a SulTaVivo, do Costa Gold e a esperada resposta do Nocivo Shomon, a impactante Disscarrego, que alem de atacar de volta, dá resposta direta a vários versos da Sulicídio. Por exemplo, para citar só uma passagem, “Caixão pra caralho… é pouco pra língua cumprida”.

Se você não conhece ainda essas duas músicas em particular, recomendo muito que assista os clipes. Os dois clipes são “lyric videos”, então fica muito bacana de acompanhar a letra. As duas se tornaram de imediato marcantes no cenário do Rap nacional. Sulicídio, em especial, foi marcante porque parte do pessoal entendeu o que a música queria dizer (independente dos ataques que estavam na letra): “O Brasil é muito mais do que só Rio e São Paulo”. Com isso, produtoras e divulgadores do Rap focaram no “Como é que você nunca ouviu falar?” que a Sulicídio colocava e começaram a pesquisar e dar espaço para rappers de outros cantos do país.

Essa história do Sulicídio, a meu ver, teve duas tentativas de fechamento. As duas muito boas e feitas de formas e em momentos diferentes.

Os autores da Sulicídio, com participação de outros MCs “fora do eixo”, exlicaram que a proposta na verdade era atingir a estrutura. A música termina com Rapadura fechando “Depois disso não tem mais diss”.

Agora o outro fechamento. Nessa de disses, o rapper Rashid, que segue a escola do Mc Marechal (mas em seu próprio caminho) publicou sua “Primeira Diss”, que causou surpresa e curiosidade, mesmo porque seu perfil vinha sendo crítico, mas na forma encorajadora e questionadora, não de ataque a ninguém. A Primeira Diss é um ataque crítico um tanto pesado, questionando importância, trajetória e contradições na carreira… dele mesmo, o que o ouvinte só percebe depois de certo ponto da música.

Além de agitar o Rap nacional e jogar alguns holofotes em outros caldeirões culturais do hip hop fora do Rio e de São Paulo, a Sulicídio e suas respostas termrinaram impactando também no YouTube e nos vídeos de reação e análise de clipes e letras. São vídeos onde o apresentador supostamente assiste a determinado clipe pela primeira vez, filmando sua reação. Até hoje, Sulicídio, Disscarrego e Primeira Diss estão, na minha opinião, entre os temas mais divertidos para você procurar vídeos de reação (react) por lá.

Atualização: Tem uma entrevista do Baco Exú do Blues para o Rap Box onde ele explica a motivação para o Sulicídio (sugestão de Gabriel Ferreira). Sulicídio entra em pauta por volta dos 16 minutos.

Emicida X Nocivo Shomon

Este é mais um resgate de post do meu blog anterior. Espero que aprecie. 🙂

Conceituando… Segundo a Wikipédia, “Hip hop é um gênero musical, com uma subcultura iniciada durante a década de 1970, nas áreas centrais de comunidades jamaicanas, latinas e afro-americanas da cidade de Nova Iorque.Afrika Bambaataa, reconhecido como o criador do movimento, estabeleceu quatro pilares essenciais na cultura hip hop: o rap, o DJing, breakdance e o graffiti. Outros elementos incluem a moda hip hops.”

Continuando, “RAP é um discurso rítmico com rimas e poesias, que surgiu no final do século XX entre as comunidades negras dos Estados Unidos. É um dos cinco pilares fundamentais da cultura hip hop, de modo que se chame metonimicamente (e de forma imprecisa) hip hop.”

Dentro do RAP existe todo um universo de gírias e jargões também. O que interessa hoje para nós é a DISS: “Diss, também conhecida nos Estados Unidos como diss track (literalmente traduzida por canção de insatisfação) é uma canção criada com o único propósito de atacar verbalmente e insultar uma pessoa ou um grupo de cantores. Seu uso é frequente no hip hop.”

Se você não conhece o Emicida, a Wikipédia diz que “é considerado uma das maiores revelações do hip hop do Brasil da década de 2000. O nome “Emicida” é uma fusão das palavras “MC” e “homicida”. Por causa de suas constantes vitórias nas batalhas de improvisação, seus amigos começaram a falar que Leandro era um “assassino”, e que “matava” os adversários através das rimas. Mais tarde, o rapper criou também uma conotação de sigla para o nome: E.M.I.C.I.D.A. (Enquanto Minha Imaginação Compuser Insanidades Domino a Arte).

Já Nocivo Shomon “é um mc, tatuador e grafiteiro brasileiro. Conhecido por um flow diferenciado e rimas rápidas, ele se tornou conhecido pelo público em 2007 com o lançamento do álbum de estreia, chamado Assim que eu Sigo.”

O Nocivo já vinha insatisfeito com Raps “modinha”, de rappers que fazem parceria com artistas pop para crescer, quando veio a primeira Diss direta pro Emicida. Como o Emicida usa o bordão “A rua é nois”, o Nocivo mandou a resposta em 2012: “A Rua é quem?”, com porradas como “Tu conta muita história pra quem tem tão pouca vida”

O Emicida respondeu com InSOMnia em 2014:

Em 2015, Shomon fechou com a parte 2 da sua Diss.

Fechando com “Enquanto a gente se ataca, ninguém defende o Brasil”, parece que a treta (pelo menos via disses) ficou em pausa por enquanto.

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