Galdentur e o Mundo Inferior

Já faz mais de um mês que ficou decidida a próxima novela de aventura a ser escrita e publicada em estilo folhetim: As Sementes do Mundo Inferior. Ainda não comecei a escrita porque tenho uma longa jornada até isso. Como a aventura de RPG se passou em um universo protegido por copyright, a história precisou ser adaptada a um novo mundo.

Pensei em procurar um mundo ficcional parecido com o que eu pretendia, ou iniciar um genérico. Terminei optando por uma solução mais interessante.

Se você já leu a trilogia Escarlate (se não leu, leia!), aquele universo começou a virar um cenário para RPG. A publicação Canção dos Reinos R1 traz essa adaptação inicial, apresentando Klavorini Norte e Klavorini Sul, explanando alguns conceitos e aprofundando algumas ideias que foram apenas citadas nas obras Escarlate; e outras que nem mesmo foram citadas.

Assim, criou-se um conceito de mecânica básica para magia de bardo, magia de mago. Estabeleceu-se um panteão, com toda uma história envolvendo aquelas divindades e esse mundo de fantasia. Nele é dito que há uma versão diferente de Klavorini, em outra dimensão, que é onde os deuses e criaturas mais diversas e poderosas habitam: Galdentur. Nada mais havia sido dito a esse respeito. Bem: agora Galdentur está ganhando forma para ser o cenário dessa nova novela de aventura.

Duas espécies que eu já havia pensado para esse mundo estão sendo definidas: ogânteres e efanos, altamente adaptados para a vida no deserto antimagia que é Galdentur Sul. Há reinos de elfos, de anões, de humanos, de goblins, de povos-lagarto…

Enfim, estou trabalhando aos poucos no R2 de Canção dos Reinos, que vai trazer esse rascunho inicial de Galdentur. Algumas ideias bacanas, entre adaptações e conceitos novos, estão no forno. Aguarde!

O básico inicial já está quase pronto. Estou na fase de adaptação dos personagens. Vencida essa etapa, a brincadeira começa!

Poesia Assimétrica

Este pequeno artigo foi publicado em 2019 no meu site anterior e estou republicando hoje aqui.


Poesia é formada essencialmente por versos (ou linhas). Elas podem ser agrupadas em estrofes. A técnica poética envolve principalmente a rima, a métrica e o ritmo, que está relacionado à métrica.

Na maioria das vezes, sinto que se espera da poesia uma estrutura simétrica, pelo menos daquela poesia que não chutou modernamente o pau da barraca. Especialmente em poesias mais longas e/ou mais técnicas mesmo, como ocorre na Literatura de Cordel.

Na verdade, não deveríamos estar tão preocupados com a simetria. O provável gênero poético mais famoso do mundo, o soneto, é assimétrico: tem duas quadras (estrofes de quatro versos) e dois tercetos (estrofes de três versos). Meus cordéis costumam ser muito simétricos, mas já vi cordéis assimétricos muito bacanas. Chico Pedrosa, por exemplo, tem trabalhos maravilhosos em que aparecem estrofes de estrutura diferente no meio da narrativa.

Outra “regra silenciosa de simetria” diz respeito à métrica. Quanto a essa, já escrevi sonetos (e outras poesias) que chamei à época de heterométricas, mesclando duas métricas em uma mesma poesia. Por exemplo, em O Duelo da Estrela:

A espada pesa, o ombro
Não é o aço
Mais um passo, um tombo
E outra reza

Ou no Cárcere da Arte:

Você pelas margens do meu caderno
Não te quero
Em juras e loucuras sem sentido
Como uma musa d’além desse mar

O estilo de cantoria popular Toada Alagoana também oferece essa dupla métrica. Partindo de uma sextilha, se intercalam três versos menores, que funcionam como eco (rimando inclusive) com os versos que não teriam rima, caso se mantivesse como sextilha. Para entender melhor:

O cordel é poesia
Todo dia
Tem um poeta nascendo
MC, tem repentista
Sonetista
A arte desenvolvendo
Nossa arte e cultura
Traz a cura
Pra um mundo quase morrendo

A estrutura de certas estrofes pode servir também para demarcar capítulos, para determinar momentos e climas da poesia, recurso que pode ser bem útil em uma poesia mais longa. Letras de música também costumam ter pegadas diferentes, nem que seja apenas para diferenciar o refrão do restante.

Ah, e a poética assimétrica está na Literatura de Cordel há muito tempo, é só ver uma peleja antiga.